"A chuva castiga a cidade e fecho as cortinas na tentativa
de esconder-me dos males andantes lá fora.
Na mais triste hipótese, diria que já pedi que me levassem embora
quando pequeno demais para acreditar na verdade ou, imaturo demais
pra entender da maldade que reinava aqui. Meu coração consumia
um desejo insaciável pelo desconhecido e ele bate quase que inerte nessas horas amargas.
Peças que se encaixam e as cartas espalhadas no palco de teatro sem expectadores,
da maneira que previ.
Eis-me aqui em um cenário familiar, encenando a peça perfeita de um romance sem estrelas,
como também previ.
Aquele ar espesso, por mais incrível que pareça, me trazia recordações tão boas;
E agora, somente o frio que congela meu corpo ameniza as finas lágrimas de um artista solitário, em seu mais aconchegado canto da parede.
O brilho esmero no olhar, acompanhado de um sorriso fino como a lua minguante no céu formavam palavras prontas.
É chegada a hora em que a infância nos puxará misteriosamente, pela mente, há um mundo onde a maior das preocupações era não perder seu desenho animado favorito e, ou temer que seus pais vissem seu boletim. Ontem, mentir era normal, hoje é válvula de escape e cada uma feita à sua maneira. Porventura, seguirei até onde der.
A água se encarrega de tudo. Lágrimas lavam a alma. O dilúvio, as impurezas."
(Bruno da Silva)
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